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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

artigo cientifico

IMPORTÂNCIA DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA PREVENÇÃO, TRATAMENTO E REABILITAÇÃO DE DEPENDENTES QUÍMICOS DE UMA CLÍNICA DE CAMPO GRANDE- MS.

Patrick Coene Teixeira[1]
Raquele Tiana Kohler[2]



RESUMO

A Dependência química é definida como um estado psíquico e algumas vezes físico provindo de uma interação entre um organismo vivo e uma droga, que se caracteriza por uma conduta e outros fatores que, inúmeras vezes, com o propósito de experimentar seus efeitos psicológicos e, em alguns casos, fugir do desconforto causado pela falta da droga. A questão da dependência química não afeta apenas o dependente químico, mas, também toda a sua família. O profissional de Educação Física é importante tanto na prevenção quanto no tratamento de dependentes químicos atuando na prevenção primária e desenvolvendo ações que auxiliem na reabilitação dessa população. Partindo desses pressupostos elencou-se como objetivo geral dessa pesquisa: refletir sobre as contribuições que a atuação do profissional de educação física realiza no tratamento e reabilitação de dependentes químicos. O objetivo específico foi elencar quais atividades era realizada pelo profissional de Educação Física com os dependentes químicos em uma clínica da cidade de Campo Grande - MS. A pesquisa foi um estudo de caso realizado em uma instituição que atende dependentes químicos na cidade de Campo Grande- MS a amostra foi composta por um profissional de Educação Física que atende a população desse local. A observação do local de trabalho, as atividades realizadas, o planejamento e a população atendida pelo profissional de Educação Física foram realizadas em duas semanas do mês de Setembro do ano de 2016. As anotações das observações foram feitas em um diário de bordo e o professor respondeu ao questionário que lhe foi proposto. A Educação Física pode ser um dos importantes agentes de interação, construção de uma nova percepção de si através da interação com o outro, mas, é preciso que além de conhecimentos de atividade física sejam proporcionadas ao indivíduo relações humanas consistentes e confiáveis que possam ajuda-lo a se recuperar e se manter saudável incorporando novos hábitos ao cotidiano após o tratamento.

Palavras-chave: 1 Educação Física. 2 Atividades Físicas. 3 Clínica para dependentes químicos.








INTRODUÇÃO.............................................................................................................. 04
Capítulo 1 Objetivos..................................................................................................... 05
   1.1 OBJETIVO GERAL............................................................................................... 05
   1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS................................................................................ 05
REFERENCIAL TEÓRICO........................................................................................... 05
METODOLOGIA  ......................................................................................................... 07
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS..................................................................... 07
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................ 12
REFERÊNCIAS............................................................................................................. 13

 











 


INTRODUÇÃO



O uso indiscriminado e abusivo de qualquer substância traz danos à saúde e o uso de drogas lícitas e ilícitas vem se agravando tornando-se um grave problema de saúde pública, pois, atinge todas as idades, classes sociais e sexos gerando gastos com internação, medicamentos e oneração ao serviço público.
Segundo Ferreira et. al (2001) existe uma grande variedade de denominação e definição de drogas, além das maneiras de uso e liberação, administração e proibição para uso comum. As drogas farmacêuticas têm função específica na melhora de quadros clínicos e exigem cuidados e administração controlada, já as drogas psicotrópicas são aquelas que alteram o comportamento psicológico e físico de quem as utiliza como é o caso da maconha, cocaína e crack entre outras. É consenso entre os especialistas que a melhor maneira de prevenção às drogas é a abstenção, pois, as drogas consideradas “leves” são porta de entrada para drogas cada vez mais fortes e nocivas ao organismo.
As ações preventivas no uso de drogas devem ser coletivas, com intenso envolvimento da família, primeira referência do indivíduo, da escola que tem papel importante na sua formação e das instituições públicas e privadas.

A promoção da saúde é associada a um conjunto de valores, tais como vida, solidariedade, equidade, democracia, cidadania, desenvolvimento, participação, entre outros. Refere se também a uma combinação de estratégias: do Estado buscando políticas públicas saudáveis, da comunidade nas ações Comunitárias; dos indivíduos na busca de suas habilidades; do sistema de saúde reorientando-o, bem como de parceiras Inter setoriais, com responsabilidade múltipla (BUSS,2003, BÜCHELE et al,2009, p.268).


No entanto, quando já ocorreu o uso de drogas e a instalação do vício, é necessário que haja um conjunto de fatores que favoreçam a reabilitação. A atividade física pode contribuir em uma vida saudável e na recuperação contra o uso das drogas, reintegrando o individuo no convívio social e na sensação de bem estar provocada como uma reação fisiológica do corpo à atividade física.
 Para Pedersen (2006) no tratamento de reabilitação os indivíduos que realizam atividade física regular tiveram maior sucesso no abandono do vício do cigarro, e menores índices de recaída e de desistência do tratamento se comparados com os indivíduos que não realizam estas atividades físicas devido a utilização de uma ou mais capacidades físicas para favorecer o bem-estar psicológico, modificação da percepção corporal, equilíbrio do senso de autocontrole e favorecimento da interação entre seus pares, bem como diminuir consideravelmente o estresse. Buchowski et al. (2011) verificou que a participação de dependentes de maconha em um programa de exercício supervisionado de duas semanas reduziu o uso da mesma num período curto.
As contribuições que a atividade física podem fornecer no tratamento e reabilitação de dependentes químicos e a importância de ter um profissional capacitado para realizar tais atividades impulsionaram a busca por conhecer mais sobre o assunto e também pelo interesse em trabalhar com essa população a fim de auxiliá-los na busca por uma vida mais saudável. A questão problematizada da pesquisa foi: Qual a importância do profissional de educação física nas atividades realizadas de maneira multidisciplinar em clínicas de dependentes químicos? Elencou-se como objetivo geral: refletir sobre as contribuições que a atuação do profissional de educação física realiza no tratamento e reabilitação de dependentes químicos. O objetivo específico foi elencar quais atividades eram realizadas pelo profissional de Educação Física com os dependentes químicos.

2. REFERENCIAL TEORICO


As aulas de Educação Física quando bem elaboradas tem um papel significativo para o sucesso da aprendizagem tanto motora quanto ao controle de sobrepeso e obesidade de cada indivíduo. Mesmo que a escola atendida pela Educação Física seja regular, o professor deverá desenvolver suas aulas em uma perspectiva inclusiva e desta forma propiciar a convivência e a diversidade com outros indivíduos (BARBOSA, 2004).
Barbosa (2004) afirma que profissional de Educação Física participará elaborando atividades que movimente seus alunos com foco na prevenção da obesidade, inclusão e contribuir para o fortalecimento muscular, transmitindo conceitos sobre a obesidade e os benefícios de praticar atividades físicas para a saúde, que desde a infância se faz necessário em todos os sentidos, principalmente o motor e cognitivo.
O tema promoção da saúde entrou em ascensão em 1978, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) apresentou uma estratégia global de promoção de saúde e prevenção de doenças, conhecida como “Saúde para todos no ano 2000”, que tinha como preocupação a saúde pública. Em 1986, ocorreu a Primeira Conferência Mundial sobre Promoção da Saúde, em Ottawa, no Canadá, originando um documento intitulado “A Carta de Ottawa” o qual descreve a promoção da saúde como um processo que visa capacitar as pessoas para aumentar o controle sobre a qualidade de vida e saúde, apoiando-se no desenvolvimento pessoal e social por meio da divulgação de informação, educação para a saúde e intensificação das habilidades vitais (BRASIL, 2002).
O profissional de Educação Física poderá fazer parte do NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família), sendo que o mesmo também é reconhecido pelo Conselho Nacional de Saúde como um profissional da área da saúde (BRASIL, 1997). Sua presença é considerada pertinente, tendo em vista que as ações desenvolvidas por ele permitirão um aprimoramento próprio, além de qualificar as equipes da Unidade Básica de Saúde (UBS) (SIQUEIRA et al., 2009).
          O Ministério da Saúde compôs o Pacto em Defesa da Vida, um documento que estabelece ênfase no fortalecimento e na qualificação estratégica da Saúde da Família a qual deve visar a promoção, informação e educação em saúde com destaque na promoção de atividade física, na promoção de hábitos saudáveis de alimentação e vida, controle do tabagismo, controle do uso abusivo de bebida alcoólica e cuidados especiais voltados ao processo de envelhecimento (BRASIL, 2006)
A dependência farmacológica conforme Campbell (2009) “é uma necessidade ou desejo continuando por doses recomendadas de uma droga, mas sem a indução de uma síndrome de abstinência quando houver descontinuação” (p. 197). A dependência química, conforme o autor, está relacionada à dependência psicológica ou física que provoca alterações comportamentais.
São exemplos de substâncias que causam dependência química: álcool, sedativos, hipnóticos, opióides, cocaína, anfetamina, fenciclodina, alucinógenos, maconha, tabaco ou inalantes utilizados sozinhos ou em combinação cuja utilização se manifesta pela preocupação com o uso da substancia, utilização em grandes quantidades ou por um período longo de tempo, tolerância à quantidades cada vez maiores de droga, desenvolvimento de sintomas de abstinência, esforços repetidos para reduzir ou controlar seu uso, interferência nas obrigações ou em oportunidades sociais ou ocupacionais pelo uso da droga e uso contínuo da droga apesar de claras contraindicações sociais , legais ou medicas.(CAMPBELL, 2009).
A Dependência química é definida na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) como um estado psíquico e algumas vezes físico provindo de uma interação entre um organismo vivo e uma droga, que se caracteriza por uma conduta e outros fatores que, inúmeras vezes, com o propósito de experimentar seus efeitos psicológicos e, em alguns casos, fugir do desconforto causado pela falta da droga (OMS, 1994).
A questão da dependência química não é só física, mental ou social e não afeta apenas o dependente químico, mas, também toda a sua família, além disso, muitas vezes o problema só é percebido depois que o vício já se instalou no paciente levando a necessidade de um tratamento mais rigoroso incluindo internação e uso de medicação.
 O profissional de Educação Física não é importante apenas na prevenção, mas, também, no tratamento de dependentes químicos e isso merece uma reflexão sobre a necessidade de formação para o atendimento dessa população para que esse profissional esteja apto a atender essa população com características específicas que precisam ser consideradas na elaboração de planejamentos e estratégias a fim de contribuir na recuperação dos dependentes químicos e na melhora da qualidade de vida deles e de todas as pessoas de sua convivência que também são impactadas pelo uso de drogas. Para Setein (2009) o profissional de Educação Física está presente na prevenção primária onde pode atuar desenvolvendo ações que apresente regras sadias de vida, tanto fisiológicas quanto psicológica, como atividades prazerosas.
Para Mialick (2008) os grupos de atividade física devem promover a interação entre os participantes de condições clínicas semelhantes para a prática esportiva, pois, as atividades e o convívio podem auxiliar na mudança no estilo de vida de cada um, que é um fator importante para a reabilitação e a integração entre a sociedade de um dependente químico, trazendo hábitos saudáveis que melhoram as habilidades psicológicas, físicas e sociais.
 O Colégio Americano (1998) preconiza em suas diretrizes uma frequência de exercícios de três a cinco vezes na semana, durante 15 a 60 minutos, em uma faixa de 55 a 90% da Frequência cardíaca, porém, há poucos trabalhos com protocolos desenvolvidos especificamente para essa população. É necessário considerar que os grupos devem ser divididos por grupos clínicos, mas, as condições de cada indivíduo devem ser respeitadas por isso a necessidade de avaliação e planejamento contínuo das atividades para que ofereçam benefícios aos indivíduos.
Casperson et. al (1985) define atividade física como a realização de qualquer movimento corporal que envolva a musculatura esquelética e que tenha como resultados um gasto energético acima dos níveis de repouso.
Nahas (2001) diferencia atividade física de exercício físico:


 Atividade física constitui-se de: “atividades ocupacionais (trabalho), atividades de vida diária – AVD, deslocamento (transporte), e atividades de lazer que incluem exercícios físicos, esportes, dança, lutas etc.” Já o exercício físico pode ser considerado como um subconjunto da atividade física que é planejado, estruturado e repetitivo, e tem como objetivo melhorar a aptidão física (p. 30).



A atividade física auxilia na eliminação das drogas através do suor conforme afirma Pimentel et. al (2008).

3. METODOLOGIA


O local da pesquisa foi uma clínica que atende dependentes químicos na cidade de Campo Grande- MS a amostra foi composta por um profissional de Educação Física que atende a população desse local.
A observação do local de trabalho, as atividades realizadas, o planejamento e a população atendida pelo profissional de Educação Física foram realizadas em duas semanas do mês de Setembro do ano de 2016. As anotações das observações foram feitas em um diário de bordo e o professor, após o preenchimento do Termo de Esclarecimento Livre e Esclarecido (Anexo 01) respondeu ao questionário composto por seis perguntas elaboradas pelo próprio pesquisador (Anexo 02).

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

            O profissional de Educação Física respondeu às seguintes questões que serão discutidas conforme a literatura consultada.
Pergunta 01: “Qual a importância do profissional de educação física na elaboração de atividades dentro de uma clínica de dependentes químicos?”.
Resposta 01: “O hospital não tem foco na questão de treinamento, a Educação Física foca na saúde e bem-estar do paciente, visando um lado terapêutico”.
A fala do profissional demonstra conhecimento do papel da Educação Física de acordo com a singularidade da população atendida. As respostas são semelhantes às apresentas por (Machado, 2015 p. 59) ao afirmar que a Educação Física atuando de maneira multidisciplinar no tratamento dos usuários de álcool e droga deve priorizar:

Trabalhar a melhora da aptidão física relacionada à saúde estimulando a recuperação das capacidades psicomotoras; Desenvolver o conhecimento de si mesmo e o sentido de confiança em suas capacidades afetivas, físicas, cooperativa, de inter-relação pessoal para agir com segurança na busca do conhecimento e no exercício de cidadania; Explorar a inovação e a criatividade pessoal; Auxiliar no combate ao sedentarismo; Realizar atividades lúdicas (jogos, músicas, comemorações...);




Pode-se dizer que em se tratando acerca do questionamento sobre a importância da figura do profissional de educação física nas aulas ministradas aos dependentes químicos em uma clínica de recuperação, em sua resposta à questão um, “No hospital não tem foco, na questão de treinamento, a Educação Física foca na saúde e bem-estar do paciente, visa um lado terapêutico, então a importância do profissional de Educação Física na elaboração de atividades físicas tem importância pelo fato de que o profissional em sua formação acadêmica tem a preparação mais especializada, tendo a compreensão que é um profissional preparado para esse tipo de especialidade, visando que sabe lidar com cada estado clinico que os pacientes se encontram”, demonstram que seus conhecimentos coadunam-se aos conhecimentos de Setein (2009), expondo que a Educação Física está presente neste processo da seguinte forma: Na prevenção primária que a educação física pode atuar desenvolvendo ações que apresente regras sadias de vida, tanto fisiológicas quanto psicológica, como atividades prazerosas.

Pergunta 02: “As atividades físicas são iguais para todos os pacientes ou são de acordo com o estado clínico de cada paciente?”
Resposta 02: “Para os pacientes com dependência química que não possuem alguma deficiência cognitiva devida ao consumo de drogas, as atividades descrevidas são as mesmas, só quando ele desenvolve alguma patologia psíquica que as atividades devem ser diferenciadas para seu estado clínico”.
            Percebe-se que o conhecimento do professor se alinha aos conhecimentos de Pederesen (2006), preconizando que nesse sentido, a utilização de uma ou mais capacidades físicas pode trazer um bem-estar psicológico importante, pois ele modifica a percepção corporal, equilibra o senso de autocontrole e favorece a interação entre seus pares, bem como diminui consideravelmente o estresse. Podendo-se dizer que neste caso, o que importa é que todos estejam participando das aulas, mesmo que para isso seja necessária uma improvisação por parte do profissional de educação física, de maneira a atingir a todos os alunos.
Pergunta 03: “Como são elaboradas as atividades?”
Resposta 03: “As atividades são elaboradas de acordo com estado clínico de cada paciente, formando grupos separados onde classificam esse estado clínico, visando o que pode e não pode ser realizado com certos tipos de paciente para facilitar o trabalho dos profissionais que atendem esses pacientes.”
Grupos relativamente homogêneos com características clínicas semelhantes tornam mais efetivos as atividades físicas, mas, é importante considerar as características de cada individuo. De acordo com o Dicionário de Psiquiatria, dependência é “Em psicofarmacologia, necessidade ou desejo continuando por doses recomendadas de uma droga, mas sem a indução de uma síndrome de abstinência quando houver descontinuação” (p. 197), para o mesmo autor a dependência química está relacionada à dependência psicológica ou física (CAMPBELL, 2009).
Pergunta 04: Que tipos de pacientes são atendidos dentro da clínica?
Resposta 04: “Grupos de dependentes químicos, depressivos, esquizofrênicos e bipolares (a maioria dos transtornos mentais)”.
            A diversidade de atendidos pela clínica requer um planejamento muito cuidadoso a fim de alcançar o maior número de pessoas possível e lhes conceder benefícios físicos e sociais.
Pergunta 05: Quais resultados os pacientes levam a ter com a prática de atividades física?
Resposta 05 “Melhora no condicionamento físico, relação interpessoal, autoestima, socialização, readaptação de suas habilidades dentro de seu âmbito familiar, profissional ou mesmo dentro da sociedade”.
O entrevistado afirma o que o autor Barbosa (2004) esclarece perfeitamente em sua fala:
“Afirma que profissional de Educação Física participará elaborando atividades que movimente seus alunos com foco na prevenção da obesidade, inclusão e contribuir para o fortalecimento muscular, transmitindo conceitos sobre a obesidade e os benefícios de praticar atividades físicas para a saúde, que desde a infância se faz necessário em todos os sentidos, principalmente o motor e cognitivo”.
Pergunta 06: A prática de atividades físicas orientada por um profissional especializado na área tem importância dentro da clínica? Por quê?
            Nota-se nessa fala a importância de aspectos que são pensados além da Educação Física, mas, com a visão integral do indivíduo.
Resposta 06: “Sim, porque você como profissional de área sabe os “caminhos” a levar cada indivíduo a receber estímulos físicos apropriados para o estado clínico de cada paciente”.
            Uma característica identificada nessa resposta é a necessidade de uma atividade física específica para essa população e isso requer uma preparação acadêmica e não há, ainda, na maioria das grades curriculares a preocupação com a saúde mental. O raciocínio do professor sobre o assunto abordado deve se coincidir com de (BARBOSA, 2004) que diz:
“As aulas de Educação Física quando bem elaboradas tem um papel significativo para o sucesso da aprendizagem tanto motora quanto ao controle de sobrepeso e obesidade de cada indivíduo. Mesmo que a escola atendida pela Educação Física seja regular, o professor deverá desenvolver suas aulas em uma perspectiva inclusiva e desta forma propiciar a convivência e a diversidade com outros indivíduos”.





5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Devido principalmente à burocracia que se enfrenta no acesso aos dependentes químicos e aos profissionais que trabalham diretamente com esse tipo de população, não se pode fazer uma pesquisa envolvendo um maior número de participantes.  Desta forma o estudo acabou por tomar apenas um professor como alvo da pesquisa, onde o mesmo respondeu a todas as indagações que lhes foram feitas e se colocou totalmente a disposição do pesquisador, quanto à assuntos relacionados aos dados que porventura se fizessem necessários ao longo do trabalho.
 As respostas do professor entrevistado demonstram a importância da educação física na clínica, além do seu envolvimento com todo o processo de reabilitação dos dependentes químicos, com o planejamento das ações e com a aplicação específica para cada grupo.
Algumas características devem ser observadas na elaboração do planejamento, pois, é necessário considerar que a Educação Física para essa população é mais que atividade física, mas, representa a possibilidade de reinserção social devido à melhora nas relações e na fuga do estigma de “drogado” que a sociedade impõe.
Para que isso ocorra é necessário atentar para as necessidades, possibilidade e interesse dos usuários, pois, algumas vezes eles não terão interesse na atividade proposta pelo profissional de Educação Física, daí a necessidade de flexibilizar a aplicação do planejamento.
A Educação Física pode ser um dos importantes agentes de interação, construção de uma nova percepção de si através da interação com o outro, mas, é preciso que além de conhecimentos de atividade física sejam proporcionadas ao indivíduo relações humanas consistentes e confiáveis que podem ajuda-lo a se recuperar e se manter saudável incorporando novos hábitos ao cotidiano após o tratamento.






4. REFERENCIAS


BARBOSA, Vera Lucia Perino.  Prevenção da obesidade na infância e na adolescência; exercício, nutrição e psicologia. Barueri, SP: Manoele, 2004.
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[1] Acadêmico do Curso de Educação Física da Universidade Católica Dom Bosco.
[2] Docente do Curso de Educação Física da Universidade Católica Dom Bosco. Professora orientadora.

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